Crítica Socialista, n. 6, nov./dez. 2025

A pirataria estadunidense no Caribe: Venezuela sob o cerco da Doutrina Trump
Luis Bonilla-Molina

A Venezuela e seu povo são as primeiras vítimas diretas do corolário Trump da Doutrina Monroe. Esta guerra, já declarada, não é contra o narcotráfico, nem contra o regime de Maduro, mas por petróleo e terras raras, bases militares, informações e desgoverno. Todas as forças democráticas, progressistas, populares e de esquerda devem denunciar e enfrentar a ofensiva estadunidense sobre a Venezuela, o que não significa, de modo algum, defender o governo de Maduro.

A eutanásia da transição ecológica burguesa: COP30 e a reação capitalista contra a natureza e a humanidade
Sungur Savran

A “transição ecológica” promovida pela burguesia está morta, uma eutanásia evidenciada pela inação das COP e pelo retorno global aos combustíveis fósseis. A crise climática, produto do capitalismo, não pode ser resolvida dentro de sua lógica, visto que a busca pela mais-valia se sobrepõe à sustentabilidade. Fatores como a virada belicista e fascista mundial, o pragmatismo geopolítico e econômico, a segurança energética diante dos riscos de uma nova guerra mundial sepultaram a agenda verde. As guerras demandam petróleo, não painéis solares. A resposta das classes dominantes não é idealismo, mas um cálculo frio: diante da crise, protegem seus interesses nacionais e de classe, abandonando qualquer agenda climática que ameace a acumulação capitalista. Só uma ruptura socialista e internacional pode enfrentar a catástrofe ambiental. A tarefa histórica de salvar o planeta, abdicada pela burguesia, agora recai sobre o proletariado.

COP30 é coisa séria: crise climática e a fuga da responsabilidade do capitalismo fóssil
Michael Roberts

A COP30 consolidou a farsa: sob a lógica do capital fóssil, o lucro das burguesias vale mais do que o planeta Terra. A análise de Michael Roberts evidencia como a conferência se esvaziou em evasivas e como a transição energética fracassa não por falta de desenvolvimento científico e tecnológico em energias renováveis, mas pela baixa rentabilidade dessas energias perante os ganhos exorbitantes obtidos com combustíveis fósseis, amplamente subsidiados, tanto pelos países centrais do capitalismo quanto pela periferia. Enquanto os cientistas alertam para o colapso iminente do planeta, os dados mostram emissões em alta e as metas de Paris sendo descumpridas. A conclusão de Roberts é radical: “A única forma de a humanidade ter uma chance de evitar um desastre climático será por meio de um plano global baseado na propriedade comum dos recursos e da tecnologia que substitua o sistema de mercado capitalista”.

Governo Lula 3 e a consolidação do Golpe de 2016. Parte 2
David Maciel

A opção do governo Lula 3 pela acomodação política e pela continuidade econômica criou um paradoxo central. Ao terceirizar para o STF o enfrentamento institucional do bolsonarismo, o governo teria aberto espaço para que o próprio Supremo atue como um partido da centro-direita. Ao enterrar a Lava Jato e processar a cúpula golpista, o STF não buscaria restaurar um projeto progressista, mas isolar a ala mais radical da direita para pavimentar uma terceira via ou a consolidação de uma democracia restrita e neoliberal. O Novo Arcabouço Fiscal é a pedra angular do continuísmo econômico, restringindo a capacidade de o governo cumprir suas promessas eleitorais e implementar reformas sociais e políticas progressistas, enquanto fortalece o rentismo. A tese final é que, nessa encruzilhada, a pauta do Golpe de 2016 se consolidaria, seja pela reeleição de um Lula acuado, pelo avanço de um bolsonarismo pragmático ou pela emergência de uma nova opção de centro-direita, apontando para a urgência da autonomia política da esquerda e das classes trabalhadoras.

O futuro da proteção social para os trabalhadores de aplicativos na Índia
Sangam Tripathy

O ensaio analisa o recente e crucial avanço legislativo na Índia, onde quatro estados aprovaram leis pioneiras de segurança social para trabalhadores de plataformas. Apesar do êxito político, o caminho foi árduo, exigindo concessões às empresas e desafios para a implementação efetiva da legislação. A Lei dos Trabalhadores de Gig Works Baseados em Plataformas de Rajastão (Registro e Previdência), voltada para benefícios trabalhistas, como seguro saúde, ainda não enfrenta questões centrais do modelo de negócio de gig works, como salário mínimo, regulação e transparência dos algoritmos, reconhecimento sindical e a definição do vínculo empregatício. Essa lei é apenas o primeiro passo em uma batalha maior por direitos fundamentais para dezenas de milhões de trabalhadores na Índia, país com uma das maiores e mais combatentes classes trabalhadoras do mundo.

O que a noite ensina: em busca de uma nova esquerda em uma era sem liberdade
Sushovan Dhar

Algo fundamental mudou na Índia. As angústias de uma era neoliberal se fundiram a uma máquina ideológica centenária, resultando em uma formação política que é, ao mesmo tempo, familiar e aterrorizantemente nova. Quando o BJP, Bharatiya Janata Party, finalmente ascendeu ao poder, não foi como um acidente eleitoral, mas como uma culminação ideológica.

Olhe para além de Zohran Mamdani e você verá as forças da emancipação
Sungur Savran

Nova York elegeu Zohran Mamdani, candidato que se apresentou abertamente como socialista. E agora? Para que ele possa cumprir suas promessas de campanha e ir além delas, os nova-yorkinos não poderão ficar passivos, mas deverão se organizar politicamente para o apoiar e combater a reação das burguesias da cidade, sobretudo de Wall Street.

A última, mas não menos complexa, aventura do trotskismo em Cuba. Parte 2
Frank García-Hernández

Esta segunda parte do ensaio analisa a complexa relação entre o trotskismo cubano, representado pelo POR-T, e a liderança revolucionária após 1959. Explora as tensões com o PSP, de orientação stalinista, que influenciou a repressão aos militantes trotskistas. O ensaio examina ainda a ambígua postura de Guevara, sua crítica ao trotskismo, sua participação na repressão ao Voz Proletaria — periódico trotskista —, mas seus vínculos pessoais com militantes do POR-T. Finalmente, aborda o papel da Quarta Internacional, na vertente de Juan Posadas, e seu conflito com a direção cubana, culminando na autodissolução do POR-T em 1965, visando preservar a unidade revolucionária.

Interceptação, sequestro e presídio: conclusão de “Diário da Flotilha Global Sumud”
Magno de Carvalho

Conclusão do “Diário da Flotilha Global Sumud”, em que Magno de Carvalho, tripulante do Sirius, relatou a travessia de ativistas pelo Mediterrâneo para entregar ajuda humanitária à população de Gaza. Agora, Magno relata os últimos dias da missão humanitária, quando ele e os ativistas foram sequestrados e mantidos presos, e os dias em que passaram em Amã, onde foram acolhidos pela população palestina local.

Resenha

Fernando Claudín, Marx, Engels e a Revolução de 1848. Trad. de José Paulo Netto. São Paulo: Boitempo, 2025. 400 pp. ISBN 978-65-5717-471-5

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